:: TESES DE DOUTORADO::
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Nome: Maria
Emilia Morete
- Título da Tese:
Caracterização temporal da
estrutura de grupos e do comportamento de baleias jubarte (Megaptera
novaeangliae) na área
de reprodução da região do Arquipélago dos Abrolhos (Bahia, Brasil).
- Instituição:
Universidade de
São Paulo
- Orientador: Dr.
Sergio Rosso
- Data de Defesa:
Março 2007
Baleias
jubarte usam a costa leste do Brasil como área de reprodução e cria. As águas
ao redor do Arquipélago dos Abrolhos são importantes devido a grande concentração
de grupos com filhotes. Um estudo de médio prazo (entre 1998 e 2004) foi
realizado, a partir de um ponto fixo de observação em terra, a fim de se
investigar a existência de padrões temporais na estruturação de grupos
e no comportamento de baleias jubarte. Dependendo das condições climáticas
e de visibilidades eram realizadas varreduras com duração de 1 hora e na seqüência,
observações de grupo ou indivíduo focal. Verificou-se que assim como a população
brasileira de jubarte, o número de avistagens de baleias adultas ao redor do
Arquipélago aumentou, especialmente de 2002 a 2004, porém avistagens de
filhotes somente aumentaram em 2004. De uma forma gradual baleias chegam, se
concentram e partem de Abrolhos, refletindo a migração segregada e as alterações
de status sociais dos indivíduos. A medida que a temporada progride,
ocorre uma mudança na freqüência das diferentes categorias de grupo de baleia
jubarte, de grupos sem filhotes para grupos com filhotes, assim como os
comportamentos, os quais, dentro de cada categoria de grupo, parecem estar
adequado ao estágio de desenvolvimento do filhote (para aqueles grupos com
filhote) e refletem o que parece estar relacionado a busca por acasalamentos e
interações sociais. Ao longo das 7 temporadas estudadas, não houve mudanças
na estruturação de grupos de baleias jubarte, nem houve alterações
comportamentais marcantes, porém, apesar desta constância observada ao redor
do Arquipélago, verificou-se que na presença de barcos num raio de 100-300
metros, fêmeas (mães) permanecem menos tempo em repouso e filhotes ficam menos
tempo em comportamento de provável amamentação. Existe a preocupação de que
repetidas mudanças comportamentais decorrentes de fatores antrópicos possam
levar a população a risco, já que em espécies como baleias, as alterações
a nível populacional podem levar muitos anos para ser detectadas. Logo é
sugerido que estudos seguindo a mesma metodologia sejam continuados para que
comparações sejam possíveis, se tornando um estudo de longo-prazo, o qual
permitiria uma investigação continua dos padrões (ou alterações deles) com
que as baleias jubarte utilizam a área e como vêm respondendo as pressões
antrópicas.