:: TESES DE DOUTORADO::
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Nome: José Martins da SIlva Júnior
- Título da Tese:
Ecologia comportamental do golfinho-rotador (Stenella longirostris)
em Fernando de Noronha
- Instituição:
Universidade Federal de Pernambuco
- Orientador: Dr.
José Arlindo Pereira da Silva
- Data de Defesa:
Fevereiro de 2005
Golfinhos-rotadores
(Stenella longirostris - Delphinidae) congregam-se regularmente em grandes
grupos ao redor do Arquipélago de Fernando de Noronha, principalmente na Baía
dos Golfinhos, enseada com elevada transparência da água. É apresentada aqui
uma visão ordenada sobre a atividade subaquática diurna dos golfinhos-rotadores.
Em mergulho livre na Baía dos Golfinhos, o comportamento dos golfinhos foi observado,
fotografado, filmado em vídeo e registrado qualitativa e quantitativamente com
uso dos métodos de amostragens “animal focal” e “todas as ocorrências”. A foto-identificação
dos golfinhos foi usada para algumas das análises em que foi necessário individualizar
os animais. A coleta de dados foi feita de maio de 1994 a maio de 1995 e de
junho de 1998 a junho de 2004, totalizando 243 dias de mergulho e 204 horas/homem
de observações. Além de comportamentos descritos em outros estudos para outras
populações, como descanso, acasalamento e jogo, são aqui descritos comportamentos
pouco conhecidos, como amamentação, defecação e regurgitação. Também, é descrito
e ilustrado o comportamento de regurgitação dos golfinhos-rotadores, detalhando
as fases do processo, o conteúdo dos regurgito e uma hipótese causal. Todos
os regurgitos eram compostos por pedaços do corpo e bicos de lulas, estes últimos
presumivelmente irritantes ao tubo digestório. São também relatadas interações
e associações heteroespecíficas dos golfinhos-rotadores. São registrados aqui
dois tipos de interações agonísticas, com golfinhos-pintados (Stenella attenuata
- Delphinidae) e com tubarões-derecifes (Carcharhinus perezi - Carcharhinidae).
Ainda, foram registrados dois tipos de associações entre peixes e golfinhos-rotadores,
aproveitamento alimentar de dejetos dos golfinhos por peixes planctófagos e
acompanhamento dos golfinhos por rêmoras. Doze espécies de peixes de sete famílias
foram observadas alimentando-se de fezes e vômitos dos golfinhos. Como todas
as espécies observadas se alimentando de dejetos dos golfinhos alimentam-se
de plâncton ou algas à deriva na coluna d’água, alimentar-se dos restos de cetáceos
pode ser considerado como uma mudança oportunista no comportamento de forrageio.
Esta relação entre peixes e golfinhos é aqui considerada como uma nova função
ecológica para cetáceos, a de provedor de alimento para peixes recifais. Outra
associação registrada foi a fixação de rêmoras (Remora australis - Echeneidae)
ao corpo dos golfinhos. Foram feitos registros múltiplos de duas rêmoras (uma
delas com marcas naturais) agarradas a um golfinho durante 47 dias e de outro
par de rêmoras (ambas com marcas naturais) agarrado ao mesmo golfinho durante
87 dias. Provavelmente, a fidelidade de associação ao mesmo golfinho hospedeiro
aumente a possibilidade da rêmora se reproduzir, assim como a natureza altamente
social dos golfinhos-rotadores propicie o encontro entre parceiros de rêmoras
para reprodução. O comportamento do golfinho-rotador de Fernando de Noronha
é similar, em diversos aspectos, ao descrito para outras populações, especialmente
no que se refere às categorias de descanso, cópula e jogo. Entretanto, em Fernando
de Noronha foram registradas categorias de comportamentos até então inéditas,
confirmando a elevada diversidade do repertório comportamental do golfinho-rotador.
É provável que o registro, em Fernando de Noronha, de comportamentos pouco conhecidos
para golfinhos esteja relacionado às condições oceanográficas e comportamentais
excepcionalmente favoráveis para observações subaquáticas dos golfinhos-rotadores
na Baía dos Golfinhos.