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De 4 a 15 de novembro, ocorreu em Santiago do Chile a 12a Conferência das Partes Contratantes para a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CoP - CITES). Da mesma participaram mais de 1200 pessoas, representando 141 governos e diversas organizações não-governamentais. Um destes participantes foi o pesquisador e conservacionista José Truda Palazzo Jr., coordenador do Projeto Baleia Franca. Seus comentários sobre a reunião seguem abaixo.

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Caros,

Saludos de Santiago do Chile, onde terminou nesta sexta-feira a XII Conferência das Partes Contratantes da Convenção CITES, que regula o comércio internacional de espécies ameaçadas de flora e fauna, onde estive integrando a delegação brasileira. São 160 países signatários dessa convenção super importante.

Vocês ja devem ter ouvido que o Japão perdeu feio as suas duas propostas pra reabrir o comércio internacional de produtos de baleia de populações de minke e Bryde do hemisfério norte. Os baleeiros não esperavam essa! Todo o lobby mentiroso sobre como as baleias estão se reproduzindo monstruosamente e comendo todos os peixes do mundo, a compra de votos de países pobres com "ajuda econômica", nada disso adiantou.

Além das baleias, entretanto, outras medidas importantes referentes a espécies marinhas foram adotadas. A CITES também aprovou, com a habitual oposição de Japão, Noruega e Islandia, a inclusão no seu Apêndice II - ou seja, espécies cujo comércio internacional e regulado e sujeito a aprovação governamental do país exportador, mediante licença específica - de todas as espécies de cavalos-marinhos (Hippocampus spp.), do tubarão-baleia (Rhincodon typus) e do tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus), todos animais para os quais o crescente tráfico internacional poderia ser uma seria ameaca se não controlado a tempo.

O Brasil apoiou as três propostas, sendo que no caso dos cavalos-marinhos o parecer do projeto brasileiro de estudo e conservação desses animais, vinculado ao CEPENE, foi fundamental. Parabéns ao povo de lá, que esta juntando de forma valiosa pesquisa com conservação e formulação de politica pública. Certamente um exemplo a ser seguido.

A proposta australiana de incluir no mesmo Apêndice II da CITES os "tootfish", Dissostichus elegenoides e D. mawsonii, acabou sendo retirada, mas foi aprovada uma Resolução que promove maior cooperação entre a CITES e a CCAMLR - Convenção para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos - para tentar frear a pesca ilegal desses valiosos peixes, e que é praticada largamente por frotas de "bandeira alugada", de países como o Uruguai, Rússia e outros (bom lembrete pra ficarmos de olho na canalha que tenta fazer do Brasil um país a mais a alugar sua bandeira pra frotas pesqueiras estrangeiras cujo controle é zero).

Essa briga dos "tootfish" e ainda mais importante porque os barcos que praticam essa pesca ilegal não usam nenhum dos dispositivos de redução das capturas incidentais de aves, e portanto estão contribuindo massivamente para a redução das populações de albatrozes e petreis. A pesca "IUU" - Illegal, Unreported and Unregulated - é portanto um crime ambiental muito sério a ser combatido.

Excelentes referências estão na Internet, na página da CITES, sobre os cavalos-marinhos (http://www.cites.org/common/cop/12/prop/eng/E12-P37.pdf), o tubarão-baleia (http://www.cites.org/common/cop/12/prop/eng/E12-P35.pdf) e o tubarão-peregrino (http://www.cites.org/common/cop/12/prop/eng/E12-P36.pdf). Mais sobre a CITES pode ser visto em www.cites.org. São excelentes referências para quem se interessar.

Além disso, a imprensa brasileira deu destaque a aprovação da proposta de inclusão do mogno no Apêndice II, coisa para a qual a delegação brasileira tinha instruções expressas de não apoiar. A proposta acabou aprovada, e na minha opinião particular isso sera ótimo para o Brasil, pois vai ajudar a segurar o comércio ilegal da espécie.

Bueno, é isso, estou a disposição pra quem quiser alguma outra informação sobre a reunião da CITES. Um abraço.

Jose Truda Palazzo Jr.
Coordenador, Projeto Baleia Franca

 

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