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notícia publicada no Jornal do Commercio.

EXTINÇÃO
Morre filhote de lua, 1º peixe-boi reintroduzido

27/Dez/2003

Maraca, como se chamava o filhote, se afogou depois de se separar da sua mãe em Serrambi O filhote de Lua, primeiro peixe-boi marinho fêmea reintroduzido na natureza, apareceu morto ontem de manhã na Praia de Serrambi, Litoral Sul de Pernambuco. A necropsia, realizada no Centro Mamíferos Aquáticos (CMA/Ibama), revelou que ele morreu por afogamento. Os técnicos do CMA/Ibama acreditam que o filhote se desgarrou da mãe no feriado de Natal, em razão do intenso movimento de barcos e pessoas na foz do Rio Maracaípe, onde os dois estavam desde o parto, no dia 17. Cansado e sem mamar, ele ficou ferido ao ser empurrado pelas ondas contra os arrecifes e acabou se afogando. O animal, apelidado de Maraca, foi visto pela última vez com a mãe no fim da tarde da quarta-feira (24). Durante o feriado de Natal os técnicos não avistaram os dois. Os pesquisadores encontraram o corpo dele às 9h de ontem, num trecho da praia chamado de Enseadinha. Lua, a mãe, estava em Serrambi, uma praia vizinha de Maracaípe, exibindo um comportamento agitado.

Maraca era uma fêmea, media 1,13 metros e pesava 25,2 quilos. O nascimento dela representou o sucesso do programa de reintrodução, que já devolveu ao mar mais de 10 animais. Os primeiros foram Lua e Astro, em dezembro de 1994, na Praia de Paripueira, em Alagoas. Os dois, que encalharam filhotes no litoral cearense e foram criados em cativeiro nos oceanários do CMA/Ibama, na Ilha de Itamaracá, no norte do Grande Recife, se separaram em seguida. Astro hoje se encontra no Rio Mosqueiro, ao Sul de Sergipe. O pai de Maraca é provavelmente um dos dois peixes-bois reintroduzidos há cerca de dois anos, também em Alagoas, num trecho onde não há exemplares nativos da espécie. “Embora o programa de reintrodução esteja dando certo, a ocupação desordenada da costa põe em risco a sobrevivência dos animais”, esclarece o chefe do CMA/Ibama, Régis Pinto de Lima. “Para Lua e Maraca, o Rio Maracaípe no Natal foi como uma avenida cheia de carros para uma mãe e um recém-nascido que acabaram de sair da maternidade”, diz. Ele lembra que os estuários, onde está localizada a foz dos rios, são usados como berçário pelos peixes-bois. “Se eles estão assoreados por causa do desmatamento, poluídos pelas fazendas de camarão e ocupados por barcos e barracas, como é o caso da Foz do Maracaípe, os animais procuram o mar, onde as ondas fortes acabam separando os filhotes das mães”, lamenta.

O oceanógrafo defende a implantação do gerenciamento costeiro no litoral nordestino para garantir o disciplinamento do turismo e, conseqüentemente, a reprodução dos peixes-bois. A espécie, que se encontra na lista dos animais em risco de extinção, é o mamífero marinho mais ameaçado de extinção do Brasil. O animal atinge quatro metros, pesa até meia tonelada e se alimenta de algas e plantas aquáticas. É uma espécie costeira, sendo encontrada no litoral do Nordeste e Norte do Brasil.

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