::Dissertações de Mestrado::
- Nome: Alexandre N. Zerbini
A baleia-minke, Balaenoptera
acutorostrata Lacépède, 1804, apresenta distribuição
cosmopolita em ambos os Hemisférios e possui quatro variedades cujo o
status taxonômico permanece indefinido. As minkes do Atlântico e
Pacífico Norte são alopátricas e estão isoladas
geograficamente das duas formas simpátricas do Hemisfério Sul,
a baleia-minke-antártica e a baleia-minke-anã. Um estudo comparativo
das variações morfológicas e ontogenéticas do crânio
foi realizado com o objetivo de estabelecer o nível de diferenciação
entre as duas formas do Hemisfério Sul. Um total de 30 exemplares da
forma anã e 14 da forma antártica coletados na Argentina, Brasil
e Uruguai foram separados em três classes de maturidade craniana (filhotes,
juvenis e adultos), medidos e examinados quanto às características
morfológicas. Os crânios das minkes-anãs são aproximadamente
30% menores que os das minkes-antárticas. Mais de 55% das medidas proporcionais
(em relação ao CBL, n = 49) são estatisticamente diferentes
(teste t, a < 0,05) entre as duas formas em todas as classes de maturidade.
Caracteres qualitativos de valor taxonômico foram identificados nos parietais
e interparietal no vertex, na margem anterior do supraoccipital, na crista lambdóidea,
na margem anterior do processo orbital dos frontais, nos processos hamulares
dos pterigóides e na borda anterior da fossa mandibular. O crânio
da minke-anã se assemelha ao das formas do Norte corroborando estudos
morfológicos e genéticos anteriores. O elevado grau de simpatria,
a inexistência de indivíduos intermediários e as diferenças
morfológicas, genéticas e biológicas demonstram um total
isolamento reprodutivo entre as minkes do Hemisfério Sul e comprovam
que a minke-antártica deve ser considerada uma espécie distinta,
cujo binômio prioritário é Balaenoptera bonaerensis
Burmeister, 1867.